Diego Maryo Portal

Side History

Conheça as Histórias Laterais de Saint Seiya:

As Sides Stories, ou Histórias Laterais, são três histórias publicadas na série Anime Special, da Shueisha.
Elas têm como objetivo explicar alguns fatos do anime que não ficaram claros, por não existirem na história original (ou seja, o mangá). Elas NÃO foram escritas por Kurumada e sim por uma equipe da TOEI. E também não se pode dizer que elas foram “aprovadas pelo Kurumada”, elas seriam feitas com ou sem o consentimento dele, assim como os filmes. Mas elas são interessantes, de qualquer maneira, e todo fã de Saint Seiya deve conhecê-las.
  • Laços entre Irmãos (A primeira Side Story lançada na “Saint Seiya Anime Special 1”)
  • A Lenda Secreta de Excalibur (A Side Story 2 fala sobre a polêmica questão de Ares/Saga, do ponto de vista de Shura)
  • O Grande Amor de Atena (Última Side Story que conta o que aconteceu entre o final da Saga do Santuário e o início da Saga de Asgard)
  • Memory Story – Shaka! (História em mangá que mostra o encontro entre Shaka e Ikki na Ilha da Rainha da Morte)

Escrito por Takao Koyama
Ilustrado por Nobuyoshi Sasakado

Traduzido do japonês para inglês por Philip Ho (Mu de Áries)
Traduzido para o português por Diego Maryo, Marcus Ryuzaki e CavZodiaco.com.br

Corrente Nebulosa – Laços entre irmãos

Acredita-se que na luta contra Dócrates, Ikki morreu, mas como seria de esperar, ele é um pássaro imortal. Secretamente, Ikki visita seu irmão mais novo, Shun, e pediu para ir com ele até o túmulo de sua mãe morta. Mas, quando retorna para a Mansão Kido, uma sombra sinistra está se aproximando!? Takao Koyama descreve o laço que une o destino dos irmãos, Ikki e Shun.

O sino da Capela do Orfanato Filhos das Estrelas, está silencioso. Este sino que se cala completamente às 6 da manhã e às 6 da noite, é chamado Sino da Esperança por Seiya e os demais órfãos. Seiya gosta deste sino, que parece curar os corações feridos das crianças, que tiveram destinos difíceis sem os pais.

Um dia, quando estava perto do sexto aniversário de Seiya, pelo vontade de Mitsumasa Kido, o presidente da Fundação Graad, Seiya foi indevidamente retirado de sua irmã, Seika. Naquela época ele não podia ouvir o som do sino.

“Irmã, o som do sino. Eu acho que ouvi algo parecido antes de virmos para o orfanato.” – Um dia, quando Seiya estava remontando a uma instância em sua memória jovem, ele foi capaz de se lembrar do que sua irmã mais velha, Seika, uma vez lhe disse:

“Seiya, antes de virmos para este orfanato, perto da casa onde os nossos pais viveram, houve também uma Capela! Quando você ouviu o som do sino tocar, você correu em volta gritando ‘Kin Kon Kan!!!”

“Uhmm…” Seiya esqueceu dos rostos de seus pais há muito tempo atrás, mas o que é interessante, é que ele pode lembrar o que Seika disse para ele aquele dia. (Irmã, onde você foi…)

“Seiya, Seiya”, a voz de Makoto de repente traz Seiya de volta. Por derrotar os assassinos enviados por Ares, o Grande Mestre do Santuário, Seiya aproveitava essa longa espera e o breve período de descanso. Ele foi visitar o orfanato Filhos das Estrelas. Parado em frente da entrada principal,o sino da capela lhe deu as boas vindas. Sem querer, Seiya olhou para a torre do sino e pareceu se lembrar da conversaque teve com sua irmã.

“Ah, Makoto?…” – O orfão mais animado, Makoto, veio junto com Akira e Tatsuya, esperando com um sorriso: “Seiya. Nós estávamos te chamando e você não respondeu. Foi por causa… Você estava pensando na Mino de novo?”

“Sim. Sim”

“Um belo casal” – com as palavras de Makoto, Akira e Tatsuya mostram as línguas pra Seiya numa velocidade incrível”

“Pare de dizer coisas atrevidas. Olhe, um presente” – Makoto pegou o presente e o desembrulhou.

“Hey, Mino, o Seiya veio!!” – Makoto e os outros não correrram rápido o bastante para esconder sua felicidade do lado de fora. Cheios de alegria, eles correram dentro do orfanato. Como se Seiya tivesse sido expulso pelas crianças sorridentes, ele esqueceu completamente que é o cavaleiro de Pégaso, ele era apenas o Seiya.

Naquele momento, Shun e seu irmão Ikki estavam em uma colina elevada observando o mar. Era um cemitério, um lugar sagrado onde os mortos dormem profundamente envoltos em uma gama de sentimentos e lembranças. O coração de Shun saltava de seu peito. Fora do comum, estava repleto de alegria, pois seu irmão Ikki, que no passado reaparecera como inimigo, erguendo seu punho contra ele, voltara a vida tal como sua constelação protetora, a Fênix, e agora estava em pé ao seu lado como um estimado aliado. Contemplavam a lápide recente de sua querida mãe e isto era como um sonho para Shun.

– (Antes de meu irmão ser enviado em meu lugar a Ilha da Rainha da Morte, e eu a Ilha de Andrômeda, nunca havia tido algo como isto). – A mente de Shun imergiu-se em lembranças calorosas quando, repentinamente, uma lágrima escapou de seus olhos. E ikki percebeu.

– “Não chore, Shun, se chorar pelo amor de nossa mãe ela não poderá descansar profundamente e em paz”.

– Shun voltou-se rapidamente à seu irmão:

– “Não, não é por isso, só estou feliz poor estar comigo neste momento, ao meu lado, irmão… e, de agora em diante, por um longo tempo, não?”.

– “Shun, [lembre-se] um dia eu já levantei o punho contra você”.

– “Irmão”.

Ikki, com expressão apática, não tocou mais no assunto.

– “Shun, você não se recorda do rosto da mamãe, não é?

– “É” [não lembro].

– “Normal, mamãe morreu muito cedo, quando você ainda era um bebê”.

– “Você sim se lembra, não é ‘mano’?”

– “…”.

– “Como ela era?”.

– “Parecida contigo”.

– “Fff, comigo? Sem essa, ela não se pareceria comigo”. – Fato raro, um largo sorriso se estampou no rosto de Ikki.

– “Irmão, me desculpe por ter deixado que fosse em meu lugar à Ilha da Rainha da Morte”.

– “É passado”.

– “Mas, por minha causa…”.

– “Verdadeiramente, essa ilha era um inferno. Um fraco, um qualquer, lá se tornaria um cadáver facilmente… Mas, nós, cada um de nós, nos tornamos Cavaleiros, sofrendo agruras, suportando dores à custo de nosso sangue e levando as costas o peso de nosso destino… por longos seis anos”.

– “…”.

Os olhos de Ikki alcançavam ao longe enquanto parecia tocar o íntimo de suas memórias. – “Se Esmeralda não estivesse ao meu lado, possivelmente eu não poderia ter posto os pés novamente no Japão.

– “Esmeralda…”.

– “Ahn, era a filha de meu mestre”.

– “…”.

– “Nessa ilha infernal, onde tanto o coração de seu povo quanto a terra e tudo ao seu redor era corroído pela erosão, ela era para mim como um anjo que os deuses enviaram do céu. Sim, um anjo, uma garota tão doce que não era possível crer que era filha do meu mestre, ao ponto de me envolver completamente. Se não fosse por seu sorriso reconfortante, sem dúvida eu não estaria aqui contigo agora”. – A face de Esmeralda tomou o pensamento de Ikki.

– “Além disso, prova que fora um ato dos deuses, é que ela era igualzinha à você!”.

– “Igual a mim?”

– “Tirando o fato dela ser mulher e a cor de cabelo diferente, sim, era totalmente idêntica”.

– “Mas, como pode?…”.

– “A casa que me abrigou na Ilha da Rainha da Morte era um cômodo subterrâneo, úmido, fétido e sobre as pedras duras. Em um quarto assim, onde parecia ver esqueletos por todos os lados, ao dormir sentia-me morrer todos os dias, mas Esmeralda… ela me animava, me acordava, lembrando-me de que tinha que continuar lutando, conquistar a Armadura de Fênix e regressar ao Japão”. – Acabara de falar. Shun escutava a respiração profunda de Ikki.

– “Irmão, e o que aconteceu com a Esmeralda?”. – A expressão de Ikki se turvou totalmente, como se recusasse a prosseguir a conversa. Shun pareceu entender e calou-se obediente. Naquele momento um raio brilhou no céu e um trovão estrondou levemente ao longe.

– “Irmão”.

– “Hum, parece que vai chover… Mãe, estamos preparados para perder nossas vidas, a qualquer momento, por Atena. Assim, não sei quando poderemos voltar a vê-la novamente”.

– “Mas irmão, assim sendo, quando isto ocorrer novamente estaremos juntos de nossa mãe”.

– “Pff… Shun, nunca desista de sua vida”.

– “Eu sei ‘mano’, já não sou aquele Shun chorão, agora sou o Cavaleiro de Andrômeda.

– “Lute até o fim, como um homem”.

– “Te prometo em frente de nossa mãe, irmão”.

– “Muito bem”. – Ikki consentiu com a cabeça.

– “Irmão, olhe, cisnes voam para o sul”.

– “Shun, eu não suporto andar em grupo”.

Neste momento novamente reverberou um trovão distante. Não comentaram um com o outro, mas sentiram um estranho cosmo agressivo atrás daquele relâmpago. Desceram então a colina e quando os dois irmãos estavam atravessando o rio, Shun notara alguma coisa sobre sua superfície. – “Irmão, são carpas”. – De fato no rio ao qual Shun apontava com o dedo haviam carpas que nadavam tranquilamente. Ikki dera razão a Shun e prosseguiu:

– “Shun, eu não gosto de andar em grupo”.

– “É…”. – Quando Shun virou-se para trás, Ikki já havia desaparecido. – “Irmão… Irmão!”. – A voz de Shun a clamar por seu irmão foi sublimada abruptamente pelo retorno de um novo raio e do som das gotas de chuva que começavam a cair com força, perfurando a superfície do rio como uma metralhadora. O cardume de carpas desaparecera rapidamente, tal como Ikki. O único que sobrava ali era Shun em meio a tempestade, com seu coração congelado, e com sua camiseta encharcada.

Quando Shun voltou completamente ensopado à Mansão Kido, por azar Tatsumi estava junto a Saori e uns visitantes no saguão de entrada. Em um escuro canto escondido ouviu a voz rude de Tatsumi a repreendê-lo de modo cem por cento baixo e vulgar.

– “Shun, que te passa para chegar assim frente a nossos convidados? Pela porta dos fundos, bastava dar a volta e entrar pelos fundos!”. – Shun, que imediatamente postou-se em reverência aos visitantes, já se dirigia à porta dos fundos quando fora chamado amavelmente por Saori.

– “Não importa, Shun, suba e se aqueça imediatamente, sim?”.

– “Senhorita Saori”.

– “Senhorita Saori, não deve fazer isso, se for sempre tão condescendente com estes moleques eles vão ficar mal-acostumados, um péssimo hábito.

Saori, como sempre, ignorou Tatsumi. Ela queria apenas que Shun se prevenisse.

– “Claro que um Cavaleiro não se resfriaria tão facilmente, todavia é bom se cuidar”.

– “Obrigado, senhorita Saori”.

– “Tatsumi, eu acompanho nossos convidados à saída e você leve Shun ao banheiro, sim?”.

– “Como, eu?”.

– “Sim, sim, você. É uma ordem minha, ou não é?”.

– “Não, claro. Shun, venha aqui”.

– “Tatsumi, Shun está ensopado até a ponta dos pés, como é que ele pode subir assim? Carregue-o você mesmo até lá em cima”.

– “Heein? Carregar?”,

– “Isso mesmo”.

– “Tatsumi tenta esconder sua cara feia ardendo de raiva, parecendo mesmo até sair fumaça de sua cabeça, a qual havia abaixado docilmente em respeito”.

– “Tatsumi…”.

Era insuportável para ele ser repreendido por Saori.

Mesmo amargurado, encurvou-se e pediu desculpas. – “Rápido Shun, suba”.

– “Está bom assim?”

Shun montara nas costas de Tatsumi sem pudor ou agradecimento, seja com gestos ou palavras. Tatsumi então lhe dirigira poucas palavras em confidência.

– “Shun, esqueceu-se que o ser humano possui um dom dado por deus, um dom chamado recato? Pois então, é bom pensar bem nisto”.

Enquanto Tatsumi ia discursando, debatendo com Shun, adentraram em um corredor. E como Saori estava ausente, não se dera conta do desaparecimento de Ikki.

– (Ahn e o… que… o que Ikki estará fazendo?). Lá fora, de súbito, uma preocupação tomou conta do coração de Saori.

Shun também, e novamente, pensava sobre o paradeiro de Ikki enquanto se aquecia embaixo da ducha.

– (Irmão, como eu poderia deixar uma tempestade separar nosso destino, um mesmo pulso de vida… Não importa o quanto sejamos golpeados e as dificuldades que passamos, nossos laços são como uma forte “corrente nebulosa”, irmão).

Embora Shun seja considerado muito parecido com uma mulher, diferentemente do Cavaleiro de Bronze Seiya, cujo corpo bruto e descuidado fora esculpido pelos treinos na Grécia, a informação de que seu rosto era idêntico à sua mãe também explicaria então a suavidade de sua pele, tocada carinhosamente pela água quente do chuveiro.

– (Meu irmão sempre acreditou nisto, de todo modo).

Um relâmpago reluziu pelo banheiro ao cair da noite revelando o corpo liso e sem máculas de Shun.

Enquanto se aquecia com a água que caía do chuveiro pelo corpo inteiro, crescia gradualmente em si uma sensação de “frio ardente” ao lembrar-se da “ressurreição” de seu irmão.

– (Irmão, você que teve que suportar a dor de seu irmão, voltou a viver e ainda foi capaz de tirar da memória tudo pelo que passou).

Ao ouvir Saori te chamando à fora, Shun não pode esperar e encerrou seu banho vestindo um roupão.

– “Ikki estava com você, ou não, Shun?”.

Subitamente Shun corou de vergonha e correu à porta, lá começou a explicar friamente o que acontecera.

– “Meu irmão ainda parece ressentir-se por ter lutado contra nós uma vez. Então sempre parece frio conosco, resistente a lutar ao nosso lado, ajudando um ao outro…”.

– “Ele é assim desde criança, aliás era em dobro. É um sujeito que não gosta de ser ajudado”.

Tatsumi apareceu murmurando que o odiava.

– “Tatsumi!”. – Saori o repreendeu.

– “Sim, ma… mas, senhorita”.

– “Ikki é um amigo de confiança. O Cavaleiro de Fênix ajudou-nos o necessário para removermos o mal que dominava completamente o Santuário”. – Dizendo isto, distinta e enfaticamente, Saori demonstrou toda sua confiança em Ikki. E um belo sorriso voltou à face de Shun.

– “Saori, Hyoga e Shiryu já deixaram a mansão?”.

– “Sim, Shiryu partiu aos Cinco Picos Antigos e Hyoga voltou para a Sibéria”.

– “Mesmo?… E Seiya foi para o Orfanato Filho das Estrelas?

– “É. Esperamos que ele entre em contato hoje a noite”.

Shun mostrou então uma expressão abatida.

– “Todos possuem uma casa para onde ir… e eu os invejo por isso”.

– “Shun, há um lugar para você ir, uma casa…”.

– “Ehn?”.

– “Esta casa onde você está agora também é sua. Aceite o convite e não desconfie de más intenções. Não pense que é uma armadilha pois eu não mordo. Esta é praticamente a casa onde nascemos, mas todo modo, a decisão é sua”.

– “Sa… Senhorita Saori”.

Um brilho retomou novamente o rosto de Shun. A visão de Saori refletiva fortemente em seus olhos.

– “Tsc. Agora parece uma pessoa feliz”. Tatsumi continuava a murmurar. A noite, Shun deitou-se cedo à cama, embora não conseguisse dormir profundamente.

– (Neste momento meu irmão pode estar em qualquer lugar. Será que dorme em uma cama boa e limpa? Desde que seu destino fora trocado por eu não ir para a Ilha da Rainha da Morte, o paradeiro de meu irmão é constantemente desconhecido. Se tudo pudesse ser apagado… Irmão, desculpe-me).

O rosto de Ikki nublou-se, desaparecendo das lembranças de sua mente. Sem mais suportar saltou de sua cama e abriu uma janela. Uma estrela tomava conta do céu.

– “Ahn… Uma estrela tão brilhante assim em plena Tóquio? Certamente meu irmão também poder ver esta estrela… Estaremos juntos algum dia, observando esta Estrela de Andrômeda subir ao céu lentamente. Espero ansiosamente por isto”.

Sua expressão mudara drasticamente. – “Este cosmo ofensivo que sinto…”.

Sob a luz das estrelas, lançou seu corpo pela janela, saindo depressa, mantendo os olhos no amplo horizonte. Todos os seus nervos estavam atentos.

– “Como Seiya não está aqui, preciso defender a jovem Saori. É o dever daquele que leva o nome de Cavaleiro de Andrômeda… Lá está!”.

Reconhecera o belo planetário erguido por Mitsumasa, prendendo-se a cúpula o sobrepôs. Veloz, o corpo de Shun corria sobre o Planetário, mais além uma janela estava próxima. Então, cessando a respiração, confirmou suas suspeitas. Sobre o Planetário avistara uma imagem, e então a reconheceu. Uma gota de suor escorreu por sua testa.

– “Quê? como… A Armadura de Fênix! Mas não… não é possível”.

– (Ele emana um cosmo de pura maldade… Desagradável, um microcosmo de profundo ódio. Demais para um irmão que…).

Shun não acreditava. De todo modo, em prol da proteção de sua deusa, arriscaria sua vida a qualquer momento. E esta era a hora. O próprio Ikki o havia dito tais palavras, e então seu cosmo torpe inflamou completamente.

– “Por favor, pare com isto irmão, não brinque”.

Nada. A figura no telhado está calada, nada fala.

– “Se você não vai dizer nada, o que quer que eu faça?”.

– “…”.

O cosmo oponente o empurra de corpo inteiro como se o desafiasse, ao passo que Shun também avança. Gradualmente a respiração de Shun se alterava, sem que tomasse conta disto. Fênix do telhado estendeu a mão direita. E abruptamente, vindos do nada, quatro sombras se juntaram ao redor de Fênix em seu auxílio.

– “Idiota… Não se espante, esta não é a sua Armadura de Andrômeda. Nem as Armaduras da Constelação de Pégaso, Dragão e Cisne… Nem pense se isso é possível ou não, nós somos os Cavaleiros Negros!”.

Por último, o Fênix Negro se pronunciou:

– “Ahahahaha… Shun, você parece ter se dado conta afinal. Não sou seu irmão, Ikki de Fênix, que recentemente reunira Armaduras Negras a seu comando.

– “Fênix Negro…”.

Shun, quieto, limpou com a mão o suor que escorria de seu rosto.

– “Ikki, aquele que falhou em morrer na Ilha da Rainha da Morte. Que naquele tempo trouxe ao mundo a tensão, tentando conquistá-lo. É, Ikki pode estar agora em qualquer lugar”.

– “Entretanto, o lamentável é que meu irmão não esta aqui…”.

– “Como?”.

– “Separamo-nos hoje durante a tempestade”.

– “Uhum. Ele certamente era uma boa pessoa, eu sei. Somente foi a vítima que deu seu sangue por ti, em teu lugar”.

O Fênix Negro fez um sinal novamente, elevando a mão direita.

As quatro figuras de cabelos esvoazantes saltaram ao céu, descendo e cercando Shun abruptamente.

– “…”.

Shun não tem em seu alcance a Armadura de Andrômeda para vestir.

Embora a famosa Corrente de Andrômeda construa facilmente uma teia de defesa intransponível, tão forte que nem uma formiga poderia atravessar, sem sua vestimenta completa Shun estava em uma posição crítica.

“Irmão, vamos para a sauna”.

“Shun, Eu não gosto de andar em grupo”.

Subitamente a corrente negra do Andrômeda das Trevas vôou sibilante como um rugido.

Shun avidamente pulou ao alto, escapando da teia enfeitiçada da corrente negra.

Então, Andrômeda Negro, corajosamente e com um sorriso malicioso no rosto, disse:

– “Se conforme Shun, pois afinal de contas, você irá enfrentar o Dragão Negro, o Cisne Negro, o Pégaso Negro, e claro, a mim, o Andrômeda Negro”.

Dragão Negro, concordando com tudo, acenou abaixando a cabeça. Assim Andrômeda Negro parte para a perseguição à Shun, mantendo uma distância de luta, tagarelando e gritando com natural arrogância:

– “Pegue sua Armadura, Shun, ai veremos em um duelo se sua corrente será vitoriosa, ou se a corrente negra deste Andrômeda Negro será a vencedora”.

– “Eu te espero”.

Distintamente Shun aceitara a oferta, podendo vestir seu corpo com a Armadura de Andrômeda. Logo, sua corrente respondeu, pondo-se imediatamente em posição de defesa. Quando mutuamente queimaram seus cosmos, Andrômeda Negro começou o confronto com Shun de Andrômeda. Pulando ao alto, sob o brilho da lua crescente, escondeu-se e lançou abaixo uma rajada de vento forte e negra. Como se energizando sob o luar, por entre as nuvens duas correntes descarregaram um “kira-kira” e um brilho. A corrente de Shun também já se postara sob a forma de Nebulosa de Andrômeda.

– “Só isso?”.

Uma corrente do Andrômeda Negro voou rugindo. E outra corrente de Shun voou rapidamente em resposta.

As duas correntes colidiram entre ambos tal como cobras enroladas como foices e distintas entre o certo e o errado, voando e reluzindo mutuamente, perfeitamente iguais.

– “Pff… Este brilho que ostento é a verdadeira Corrente de Andrômeda, Shun. E te provarei isto de qualquer maneira”.

Logo.

– “Corrente Nebulosa Negra!”.

– “Uwaaah”.

Um vago brilho tomou a Nebulosa de Andrômeda. Chocou-se como uma cobra impiedosamente contra a defesa de Shun, atravessando-a rosnando e emaranhando-se com seu corpo, realizando com sucesso a manobra.

– “Arghh”.

Deste jeito, sem ter como partir à batalha, a nobre face de Shun revela-se com fortes dores.

– “Uuuurgh”.

Não podendo mover um pé, nem uma mão, as cobrar se firmam enroladas por todo o corpo de Shun.

– “Uuuurgh”.

– “Pfuuu… Que absurdo, é disto que é feito o único irmão de Ikki, aquele que cortara as roupas do Mestre Ares?”.

– “Que?”

– “Você é um covarde, irmão de outro covarde, afinal de contas então, todos covardes”.

– “Ur…gh. Não, não vou deixar de jeito nenhum ouvir você difamar o meu irmão”.

Shun inflamou-se de raiva e então ascendeu o fogo de seu microcosmo.

– “Uu…gh. O meu irmão… é um orgulho para mim!”.

O cosmo de Shun elevou-se totalmente.

– “Mas como?”.

Ao ver a centelha cósmica de Shun se expandir pelo corpo inteiro, Andrômeda Negro atira extensas correntes-cobras para chocar-se com ele. Todavia, as cobras largaram o corpo quando irrompeu, no exato momento, sua corrente defensiva.

– “Seu miserável!”.

O Andrômeda Negro agora queria muito vingar-se por isso. Em sua testa escorreu um fio de suor. Dois escorreram de Shun, que não os viu fluir e cair.

– “Eu sou o Andrômeda Negro e mostrarei para você o verdadeiro poder da minha Corrente Negra e isto será a sua derrota. Não devia ter provocado a minha ira”.

– “Com ou sem, não tenho medo de sua Corrente Negra”.

E atirou então sua Corrente Negra, a qual fora seguida imediatamente por Shun.

– “Corrente Nebulosa”. – E a corrente nebulosa de Shun fora descarregada. Ela invadiu e se apoderou do Andrômeda Negro, sua vida agora estava presa nestas correntes.

– “Urghhh”.

Andrômeda Negro fora completamente abatido e lançado ao alto pela Corrente Nebulosa, enquanto seu cosmo desaparecia deixando somente o rastro de seu grito. Tendo vencido sozinho o primeiro, Shun não teve tempo para descansar. Imediatamente, Pégaso Negro, Dragão Negro e Cisne Negro, combinados tentam intimidar Shun se aproximando para o combate.

– (Irmão, eu lutarei como um homem, até o fim).

Então Pégaso Negro o atacou com seu Meteóro Negro, seguido da Tempestade Negra do Cisne Negro, e por último sobreveio o ataque Dragão Negro Supremo do Dragão Negro. Em desvantagem numérica, a Corrente Nebulosa voava verticalmente e horizontalmente para evitar que Shun caísse no linchamento sem proteção alguma, pois estava desesperadamente em perigo. O Fênix Negro já se declarava triunfante.

– “Shun, você foi derrotado. Entretanto, eu te mandarei para o inferno, é bom obedecer”.

– “Você é capaz de suportar todos estes danos? Afinal, você é o único irmão de Ikki de Fênix”.

Imediatamente Shun é golpeado em seu corpo ferido. Ele não era páreo para seus inimigos agora.

– “Ugh…Arghh…Gurrrh”.

O Pégaso Negro socava tão pesadamente que parecia golpear um saco de areia. As mãos de Shun estavam livres. Uma tentava agarrar seu oponente enquanto a outra atingia o ar.

– “Pégaso Negro, vamos, ataque logo com o Meteóro Negro, é uma ordem do Fênix Negro”.

Naquele momento algo semelhante a uma folha alada cortara o ar, as mãos, roupas e a bochecha do Pégaso Negro.

– “O quê, mas quem?”.

Pégaso Negro gritara. O céu estava coberto por uma nuvem negra e a voz de Ikki de Fênix ressoou dentro daquela escuridão, que a deixara com somente um passo.

– “Depois de vingar os golpes que deram em meu irmão irei rir destas suas Armaduras Negras”.

Ikki, usando sua galante Armadura de Fênix, surge rasgando a escuridão.

– “Ir, Irmão, Você está aqui, ao fim de tudo”.

– “Shun, você está bem?”.

Fênix Negro então gritou alto de cima do telhado.

– “Veja se não é o traidor Ikki, sabia que estava esperando você aparecer? Eu venho em nome do Mestre Ares. Agimos silenciosamente sob suas ordens em vários pontos do mundo.”

Ikki observou bem o Fênix Negro.

– “Eu o conheço bem, você não é o Ritahoa?”.

Rapidamente a fisionomia do Fênix Negro mudou. Enquanto averiguava o rosto surpreso do Pégaso Negro, Ikki avançou e disse:

– “E você não é Kenuma? E você Jid? E não é você, Shinadekuro?

Pégaso Negro que foi reconhecido por seu nome parecia envergonhado e virou o rosto.

– “Pff… Quando eu havia reunido as Armaduras Negras, Ritahoa, você ainda era um fracassado da Ilha da Rainha da Morte. Este então é o Fênix Negro… Dez milhões de vezes cômico isso. Eu tinha uma vida lamentável antes de partir”.

Mas também não seria derrotado pelo Fênix Negro.

– “Ikki, Se pensa que somos os mesmos de antigamente está cometendo um grande engano. Você se tornou um Cavaleiro de Bronze tendo recebido treinamentos especiais sob a tutela do Santuário da Grécia, mas ainda assim traiu aquele que lhe intitulara Cavaleiro, o Mestre Ares.

– “Então é isso, o que quer?”.

Se eu vencer você, que foi treinado na Ilha da Rainha da Morte como eu, poderei me tornar um Cavaleiro. Esta é a primeira e última chance a mim dada e vou agarrá-la sem sombra de dúvida.

Deu ordens então ao Pégaso Negro. Mas, no mundo, não há pessoa que consiga vencer um Cavaleiro que já tenha visto seu ponto fraco. E tanto o Pégaso Negro, que se chamava Kenuma, quanto o Cisne Negro, chamado Jid, e o Dragão Negro, Shinadekuro, Ikki os conhecia muito bem.

– “Avê Fênix!”.

Com sua áspera técnica, Ikki atacou e sem piedade lançou ao longe os três, que assim morreram. Somente restara uma pessoa, o Fênix Negro, Ritahoa.

Agora eram dois Fênix em confronto.

– “Ritahoa, sua existência e de sua Armadura Negra são minhas imagens opostas. Sol e sombras afinal das contas. Você é como uma sombra frente ao Sol. Mas, lamentavelmente, uma sombra varia de acordo com mudança do Sol, ao contrário do Céu e da Terra, sempre impassíveis.

– “Se qualquer coisa que saísse de sua boca fosse bom não teria esperado tanto tempo assim para este encontro. Vamos Ikki. Deixe isto de Sol e Sombra para lá. Entenda isto imediatamente. ‘Kieei’.”.

Junto com o forte brado, Fênix Negro atacara Ikki com seus punhos. A velocidade de seus socos não era em nada inferior ao Meteóro de Pégaso. Ikki, entusiasmado com isto, os evitava.

– (a qualquer momento, a qualquer momento posso ser atingido em uma brecha se ele melhorar sua técnica. Serei ferido se eu o menosprezar, seguramente).

– “Morraaaa, Ikki!”.

Fênix Negro desferira uma sequência de socos.

– “Uaaah”.

Sem resistir ao choque Ikki é lançado pelo ataque ao longe, colidindo violentamente com uma árvore de centenas de anos.

Alguma coisa caiu do pescoço de Ikki, que não se deu conta disto, e cintilou no chão.

Recebido um belo ferimento, Ikki se levantava. Como era previsto, com um leve assobio e com um rosto corado, Fênix Negro cantava vitória, esperando ansioso por isto.

– “Ikki, de qualquer maneira, este não é o mesmo Ritahoa de antigamente. Agora o Mestre Ares terá que me admitir”.

– “É certo que você conseguiu ferir meu braço. Contudo, você ainda está a cem anos de distância do meu poder”.

Fênix Negro então avançou e desferiu novamente sua técnica.

– “Vamos ver se meu golpe funciona pela segunda vez então?”.

Habilmente se esquivando, Ikki desviara do veloz punho do Fênix Negro ao passo que no sentido oposto também descarregou um soco.

– “Uwaaah”.

Seu ataque o lançou justamente naquela árvore onde havia tombado uma vez. Contudo, rapidamente seu oponente já estava de pé.

Naquele momento Ikki avistou um objeto brilhante abaixo dos pés do Fênix Negro.

– “Ahn?”.

Quando o Fênix Negro se pôs a andar , “gatsuh”, um som foi ouvido e novo brilho cintilou naquele objeto. A face de Ikki mudou abruptamente.

– “Não toque isto com os seus pés imundos… Mas veja, veja muito bem minha ilusão demoníaca”.

– “Espírito Diabólico de Fênix!”.

A ilusão demoníaca atingiu o Fênix Negro como um parafuso na altura do encontro de suas sobrancelhas.

– “Uwaaah”.

Fênix Negro imergiu-se na ilusão de seu ego. Pela regência da Ilha da Rainha da Morte ele resistiu a Ikki visando promoção pessoal por meio de grande número de assassinatos, os quais foram noticiados acima e abaixo. E assim foi ele próprio devastando seu espírito, guerreando em uma mente vaga – que agora nem podia mais ser considerada mente.

Ikki estendera a mão para pegar aquele artefato caído.

– “Irmão”.

Shun correu uns dez passos até Ikki, que lhe apresentou então aquele objeto. Era uma pequena cruz.

– “Na intenção de partir e te deixar quase me esqueço disto”.

– “Isso é…”

– “Só uma recordação de nossa mãe”.

– “Da… da mamãe”.

Nossa mãe usava isso em seu corpo até o momento de sua morte. Antes de nos deixar, em seu último suspiro, ela pediu que nos ajudássemos uns aos outros, para nos mantermos firmemente vivos, sempre juntos.

Shun recebeu a cruz de sua queria mãe que não conhecera em sua palma da mão, e espontaneamente a acariciara. Então uma lágrima caiu de seu rosto sobre a cruz.

– “Irmão, vamos ficar juntos de agora em diante também”.

– “Shun, a cruz da mamãe é nossa. Eu sempre estarei junto de ti. Nós sempre lutaremos juntos”.

– “Mas…”.

– “Nos viremos nos ajudar sempre que preciso”.

– “Irmão, mas…”.

– “Shun, gostaria de me fazer repetir tudo aquilo novamente?”.

– “Eh…”

– “Não suporto grupos”.

Ikki somente disse isto e o deixou, voltando a desaparecer por dentro da escuridão noturna.

Autor: Yoshiyuki Suga Ilustrações de Shingo Araki e Himeno Michi
Tradução: Seadragon Universe

O Grande Amor de Atena

Capítulo I – Florescimento

As doze chamas que marcavam o passar do tempo no relógio de fogo já haviam se apagado. No céu noturno, inúmeras estrelas resplandeciam suavemente, como se estivessem tratando de aliviar as feridas dos jovens, que pela primeira vez haviam desafiado o Santuário na batalha das 12 Casas.
A cruel batalha, que havia durado mais de 12 horas, chegara ao seu fim.
Mesmo após os cavaleiros de ouro sobreviventes terem levado Shiryu e seus companheiros para receberem cuidados médicos, Saori continuava abraçada a Seiya, apertando-o contra seu peito. Por mais que chamasse Seiya, já não restavam forças para que ele respondesse e ela sequer podia secar suas lágrimas que escorriam livres por sua face. Saori continuava chamando por Seiya desde o fundo de seu coração.

– Seiya…
Quantas vezes havia pronunciado esse nome…
Quando Saori era uma criança caprichosa e egoísta, antes de compreender seu próprio destino como Atena, Seiya era o único que a enfrentava abertamente.
Seiya, que havia se separado de sua irmã, sua única parente neste mundo, que havia sido enviado como candidato a cavaleiro e forçado a um duríssimo treinamento, como se não valesse nada, e fosse um brinquedo jogado ao vento, odiava seu destino, e com todas as forças tratava de voltar toda sua impaciência e sua ira sobre Saori.
Saori, quanto mais se voltava contra ele mais pensava que o odiava. No entanto, desde sua infância havia compreendido uma coisa:
– Seiya e eu somos parecidos.
Como única herdeira da fundação parecia que vivia uma vida sem privações, mas na realidade Saori não tinha ninguém a quem confiar seu coração, estava só. Ainda que com muitos serventes e aspirantes a cavaleiro ao seu redor, isto não a confortava.
Saori sentia como todos eles baixavam a cabeça perante sua autoridade de presidente da fundação Kido, e não perante ela por sua própria vontade. Sua solidão, impaciência, instabilidade, ira…quando olhava a si mesma nos olhos de Seiya se dava conta de que eram iguais. E durante isso atormentava Seiya, contudo, gritava no fundo de sua alma:
– Seiya, me diga… O que devo fazer agora? O que será de mim?
Tão logo compreendeu seu destino como a deusa Atena, Saori havia tentado suicidar-se.
Havia seis anos que Seiya e os demais, para obter suas armaduras, haviam sido dispersados pelo mundo. Quando regressaram ao Japão ela os ofertou uma nova prova, o chamado Torneio Galático. Para conseguir suas armadura haviam sofrido muitíssimo e ela, agora, cruelmente os haviam ordenado que lutassem entre si.
Saori, certamente, comportava-se como a rainha diante da qual os escravos lutavam no Coliseu, já desde as antigas lendas gregas, se inclinando e admiravando. Ao menos não havia dúvida de que é assim que olhava Seiya e os outros.
Mesmo quando o semblante de Seiya, que vestia a armadura de Pégaso e que havia se desenvolvido vigorosamente, desprendía a transbordante auto-confiança do cavaleiro em que se havia convertido e que se encontrava perante ela, os olhos de Saori, que o contemplavam, seguiam vendo-o como no passado.
Saori trazia suas palavras de agradecimento a Seiya. Mas de que serviria dizer estas palavras agora?
O cosmo que Atena despertava dentro de si fazia-a sentir claramente que este Torneio Galático não seria mais que um fácil prelúdio, e que daquele momento em diante excessivas batalhas envolveriam a Seiya e os outros cavaleiros.
Desde então, passaram tempos tortuosos e, em algum momento, a fria tirania de Saori sobre os cavaleiros desapareceu. Em cada momento de duras provas ou de repetidas batalhas que passaram juntos, cada vez que superavam um obstáculo, a distância ia se estreitando.

Saori já não era Saori Kido, era Atena…Seiya e os outros como Cavaleiros de Atena haviam protegido a Saori e não a deusa. Por isso Saori queria protegê-los.
– Saori! Atena! Seiya!
Durante toda a batalha o sorriso de Seiya, que atravessava as barreiras do tempo, em alguns momentos, chegou a deslumbrá-la.
Certamente, Seiya não o oferecia para Saori Kido, sim para Atena e para o símbolo da paz que ela representava e traria a terra.
Sem embargo, Saori se alegrou de poder devolver esse sorriso de dentro de seu coração.
Quando eram crianças, o seu coração chamava a Seiya e a resposta a sua súplica agora foi convertida em um doce sorriso.
Quando esse cálido sentimento batia em seu peito, de repente Saori desejava ser Atena, voltava a ser uma simples jovem.
Ainda mais agora, quando sentia o calor do rosto de Seiya, ferido e exausto, como se dormisse repousando em seu peito, a dor provocada pela flecha de ouro disparada por Tremor de Sagita desaparecia, convertendo-se em uma sensação de bem-estar.
Sem seus cavaleiros terem que enfrentar cruéis batalhas… sem ter que levar em suas costas a pesada responsabilidade de Atena. Era assim, desta forma, que ela desejava estar para sempre.
A expressão do rosto de Saori que erguia a vista lançando um pedido à estátua de Atena que se erguia dominante bem ao seu lado, era a expressão de Saori Kido, uma simples garota que certamente parecia assustada como um passarinho que começa a levantar vôo.
Havia um homem que ali estava silenciosamente vigiando os movimentos de Saori. Era Mú, o Cavaleiro de Ouro de Áries.

Capítulo II – O Amor de Atena

Na manhã do dia seguinte, uma onda de clamores que rompiam o silêncio sacudiram o Santuário. Era o clamor que todos dirigiam para saudar Athena e celebrar sua chegada.

Devido à conspiração de Saga de Gêmeos, sua figura havia estado em volta de um véu de mistério, alguns inclusive duvidaram de sua existência, mas agora, a mesma deusa se mostrava perante eles em toda sua formosura e nobreza.

Todos os habitantes do Santuário se regozijavam do resultado da batalha e da vitória da justiça. Eles rezavam, confiavando que de agora em diante a paz duraria para sempre. Esse era o mesmo sentimento que dominava Saori.

O Santuário, considerado um ponto chave para a manutenção da paz na Terra, havia se convertido em um campo de batalha. O sangue de muitos amigos havia sido derramado.

No sorriso doce e repleto de força que Athena dirigia aos que estavam perante ela, não se percebia nenhuma sombra.

Exceto uma pessoa…

Em um bosque nos arredores do Santuário, erguia-se um antigo e pequeno templo, que nada advertia. Era conhecido com “A Fonte de Atena”, mas não era isto. Ali existia sim uma formosa fonte de brisas refrescantes. Ficou conhecido desse modo porque os ares desses arredores pareciam anestesiar a pele, gelando-a.
Poderia se dizer, inclusive, que dentro do Santuário quase ninguém conhecia a existência deste templo. Era um lugar de recuperação para cavaleiros. E tanto Seiya como seus companheiros, os cinco, que haviam chegado agonizando por causa das graves feridas recebidas nas batalhas, agora estavam sendo ali atendidos em tudo o que se fosse possível fazer por eles.

Nesse bosque de sombras verdejantes, com um belo vestido, completamente branco e quase transparente, Saori andava, temerosa.
– Imaginava que viesse, Atena…
Perante ela Mú se ajoelhava.
O cavaleiro de Áries, nesse momento, não percebeu realmente a expressão de Saori, o medo que por um instante apareceu em seu rosto. O medo de quem se acredita culpada de um terrível crime, algo que não era próprio de Atena.
– Certamente, Mú… Sendo Atena, é natural que me preocupe com o estado de meus cavaleiros, os Cavaleiros de Atena. Além do mais…é por minha culpa que eles…
– Se são Cavaleiros é normal que sejam feridos em nome de Atena, e até mesmo que morram em seu nome. Deve sentir-se satisfeita com eles. Isso é algo que já devia saber bem.

Mú estava lendo seu coração e compreendia perfeitamente que a garota que estava ali não era Atena, era Saori Kido.
– Mas se eu chegar a perder o Seiya…eu…
Só com esse pensamento se mostrava mais frágil que o vestido de seda que levava.
– Por favor, me abraçe, Mú…
– Não é permitido que o amor de Atena seja vertido sobre um só Cavaleiro…O amor de Atena deve ser para todos seus Cavaleiros por igual.
Saori tentou escapulir de Mú, mas por alguma razão suas pernas pareciam estar atadas e não podia se mover.

– O Amor de Atena…é de um cavaleiro…só um…
Saori tinha a sensação de poder ouvir os gemidos e o fraco batimento do pulso de Hyoga, Shiryu, Shun e Ikki, que junto com Seiya permaneciam inconscientes na Fonte de Atena. Tentando com todas as suas forças voltar a fazer arder a chama de suas vidas que se desvanecia.
E não eram só eles, o coração de Saori se compungia ao recordar os numerosos cavalheiros que haviam caído e derramado seu sangue por Atena.
Antes desta situação, Mú explicou-lhe a origem do nome fonte de Atena.

“Nos tempos mitológicos, cada vez que teve lugar uma guerra sagrada, os cavaleiros que recebiam feridas mortais eram carregados a esse templo. Dizem que um golpe dos cavaleiros podia rasgar o ar ou romper o solo. Mesmo os que usavam armaduras de bronze podiam lançar mais de 100 golpes em um segundo, ultrapassavando a velocidade do som. Os cavaleiros de prata podiam lançar o dobro ou inclusive o triplo de golpes. Quanto àqueles que portavam as armaduras douradas, dizia-se que podiam lançar mais de 100 milhões de golpes por segundo, alcançando a velocidade da luz.
Portanto, seus combates eram algo inimaginável, e o dano que podiam receber não podia ser pouco.
A estrutura da matéria, ou seja, o fundamento da mesma, era atacada e chegava a romper-se, de tal modo que nem sequer os médicos atuais poderiam salvar a maioria dos feridos nestas lutas.
Muitos dos cavaleiros feridos esperavam neste templo, que era como sua segunda casa, a morte que viria a buscá-los.
Mas então, diz a lenda,desde as distantes alturas da estátua de Atena, caiu uma lágrima. Uma lágrima que era como um cosmos dourado que umedecia um deserto, formando um oásis. Este cosmos envolvia todo o templo e seus arredores e diz-se que todos os cavaleiros se recuperaram de seus ferimentos.”
Saori, ainda com dor, compreendeu bem o sentido que Mú queria passar indiretamente, ao contar essa história. Ao voltar e olhar para o céu, através das frondosas árvores, ela podia ver a expressão nobre e ao mesmo tempo doce da estátua de Atena.

– Já não sou uma simples jovem… Sou a reencarnação de Atena nesta época moderna onde ainda povoam as forças malignas… E teremos que enfrentar muitas batalhas.
Desta vez Mú não olhou Saori diretamente. Pelo contrário, permaneceu com o olhar distante dela, talvez por respeito, como se essa fosse a prova de que a reconhecia como Atena e a venerava…
…Ou talvez fosse produto de um estranho pressentimento, ao perceber que a estrela Polaris havia começado a emitir um cosmos inquietante.
Finalmente, uma respeitosa Saori reverencia Mú e desaparece entre as árvores.
Aos poucos Saori seguiu o conselho de Mu e voltou à Masão Kido levando Jabu, Kiki e aos demais consigo.
– O amor de..Atena…
Em contraste com seu coração agitado, o mar Egeu, que ela contemplava do avião, brilhava suavemente num tom verde esmeralda.

Capítulo III – O Ataque Misterioso

Já haviam se passado vários dias desde que Saori abandonara o Santuário, e apesar do outono já haver chegado, no Santuário o tempo permanecia sendo limpo e fresco, como se ele também celebrasse a chegada de Athena.
Nessa manhã, por alguma razão, havia momentos em que se podia sentir facilmente uma intensa corrente gelada. Na Fonte de Atena, onde recebiam toda a atenção possível, Seiya e seus companheiros ainda não haviam recobrado os sentidos, vagavando entre a fronteira da vida e da morte. Será que seus corpos, como suas armaduras, não iriam sobreviver às feridas da Batalha das 12 Casas?
A intranquilidade dos Cavaleiros de Ouro havia aumentado consideravelmente quando receberam de Mú a notícia de que as armadura de Seiya e dos demais estavam “mortas”.
Nessa noite…
Os guardas colocados em frente à Fonte de Athena, depois de se entendiarem falando sobre o estranho frio que fazia por ali naquela estação, acabaram dormindo…quando foram sacudidos por um tremor.
Imediatamente abriram seus sonolentos olhos com atenção. Mas conseguiram apenas gritar “Quem são?” antes de caírem todos mortos aos pés de quatro ou cinco sombras masculinas que, sem fazer ruído, entraram dentro do templo.
Como em sua terra natal, sempre coberta de neve, continham a respiração e controlavam sua energia, tratando de captar os cosmos de suas presas.
– É aqui…neste quarto…
Os assassinos, que atravessaram correndo a ampla galeria, chegaram sem o menor contratempo ao local onde os Cavaleiros de Bronze se recuperavam, e com um forte chute derrubaram a porta.
Dentro encontraram Seiya e seus companheiros deitados em suas camas.
– Ahn?…
Uma das cincos camas estava vazia.
– Não parecem a vocês que para uma simples visita a uns enfermos foram bruscos demais derrubando a porta? Por que não bateram?
Um dos assassinos voltou a cabeça e na escuridão do local encontrou um vulto com a figura de um homem. Com dificuldade falou:
– Qu…Quem é você?
– Hum, alguém que se mete no Santuário como se fosse um rato vulgar e ainda me pergunta meu nome…ora, não me faça rir.
Tendo perdido sua energia vital, e com a face ensanguentada, mas envolto na terrível aura de Fênix, Ikki mostrou sua fúria aos assassinos, saindo da escuridão.
– O que…que é isto?
Respondendo à provocação lançada por Ikki, os assassinos destruíram a janela e saíram perseguindo-o.
Em seu estado normal, Ikki teria podido livrar-se de seus oponentes com um único golpe. Só havia se levantado da cama graças ao seu instinto, que percebeu o cosmos dos assassinos que se aproximavam. Porque na verdade, Ikki, como seus companheiros, não havia se recuperado de suas feridas mortais.
Se a luta se prolongasse, não só ele, mas também seus indefesos amigos seriam vítimas dos invasores.
– Não permitirei isso nunca!
Sem se importar com seu corpo machucado, Ikki começou a concentrar e aumentar seu cosmo. E então lançou seu ataque mais poderoso.
– HOYOKU TENSHOOO!!
Os assassinos, que pela primeira vez na vida viam um ataque de fogo tão poderoso, abriram seus olhos cheios de terror antes de caírem fulminados. Mas nesse momento o corpo de Ikki estremeceu, devido a alguma coisa diferente de suas feridas.
Era um cosmo gelado, de grande poder e que transbordava um poderoso instinto assassino, uma aura incomparável com a dos assassinos de antes. A sombra branca que saiu da árvore lançou um golpe a velocidade impossível de se seguir com a vista.
– Moveu-se à velocidade da luz, como só os Cavaleiros de Ouro deveriam poder fazer!! Foi um golpe na velocidade da Luz!!…
Ikki ficou petrificado perante o poderoso ataque gelado que se aproximava tendo uma luz branco-azulada como se rasgasse a noite. Um calafrio percorreu suas costas.
– No meu estado, não poderei me esquivar…
E não era só isso, ele não estava sequer trajando sua armadura, estava com o corpo desprotegido.
Ikki, que até então nunca havia sentido verdadeiramente o medo da morte, viu como o dono da sombra esboçava um malicioso sorriso de triunfo. Quem sabe fosse o sorriso com que dizem que o deus da morte recebe os mortos.
– Irmão……
Ikki teve a sensação de ouvir a voz de sua irmão. Mas ele já havia se resignado a morrer…não havia nada que pudesse fazer. Fechou os olhos e sentiu que um poderoso cosmo gelado estava a sua frente… Mas então, notou uma poderosíssima energia envolvendo-o.

– Shaka!
Ao abrir os olhos, encontrou Shaka de Virgem parado em sua frente, protegendo-o do ataque de gelo. A sombra branca desapareceu na noite.
Graças ao emblema de Odin que havia nas armaduras dos invasroes mortos, ficava evidente qual era a origem destes, vinham do norte, eram soldados de Asgard.
– Mas porque os soldados de Asgard…?
Shaka também se perguntava. Realmente, se alguém pretendia dominar o Santuário este sem duvida seria o melhor momento. A discordia interna causada pela rebelião de Saga foi solucionada, e todo o Santuário estava unido ao redor de Atena, mas isso fazia pouco tempo, as coisas não estavam assentadas e Seiya e seus companheiros, que durante a batalha das 12 casas haviam superado os cavaleiros de ouro, estavam agonizando. Sem duvida era um momento difícil.
Shaka perguntou a si mesmo: “A representante de Odin, Deus de Asgard, a Princesa Hilda…mesmo nos países vizinhos é amada e respeitada por todos…dizem que é muito bondosa.”
– Então…por quê?
Antes que Shaka pudesse terminar seus pensamentos, Ikki se aproximou dele.
– Seja Odin, seja Hilda, não podemos permitir que façam os que querem, devemos ir até eles.
– Em seu estado atual é impossivel que enfrente os lendários Guerreiros Deuses de Asgard. Além do mais, sua armadura de Fênix, com a de seus amigos, vaga na fronteira da vida e da morte..
– Como?
A armadura de Fênix, o pássaro imortal, que mesmo reduzida à cinzas é capaz de ressurgir, desta vez não pôde sanar suas feridas. Só se podia confiar na capacidade de Mú para repará-la junto com as demais, e na capacidade de Seiya e dos outros para superar suas feridas.
Ikki não pôde admitir as palavras de Shaka. Então reparou que a armadura de Shaka, que havia recebido o golpe gelado, estava trincada e coberta por uma camada de gelo. Lembrou que nem mesmo ele com seu golpe mais poderoso havia sido capaz de produzir o mínimo dano na armadura de ouro de Virgem.
– Esta sombra branca…esse homem, devia ser um dos lendários guerreiros divinos de Asgard…
Por um momento em algum lugar de sua consciência Ikki, teve a sensação de ver como a estrela Polar, assim como as sete estrelas que correspondiam à Ursa Maior, brilhava estranhamente.

Foi algum tempo mais tarde que Ikki compreendeu que quem lhe havia atacado aquela noite fora Bado de Alcor, Guerreiro Deus da Estrela Zeta.

Autor: Yoshiyuki Suga
Ilustrações de Shingo Araki e Himeno Michi
Tradução por: Seadragon Universe

Saga! Melodia do desejo

Capítulo 1 – Reencontro

Foi no ano em que Atena nasceu. O verão na Grécia é seco. Se em um mês chover por três dias, já é muito. Nas colinas de Atenas, onde se localiza o Santuário, o clima também é bastante árido, e venta bastante, de modo que há bastante poeira por lá.

A cidade está lotada de turistas, como sempre. Desde os tempos mitológicos tem sido assim. As pessoas sempre foram atraídas pelos mistérios desse lugar.

Em muitas ocasiões, pessoas tentaram chegar a esse lugar místico chamado Santuário, mas voltaram pra casa de mãos vazias. Isso porque o Grande Mestre, que protege o Santuário de invasões, criou alguns campos de força ao redor do Santuário. Turistas que chegarem aos arredores do Santuário simplesmente não vão conseguir continuar. Se tentarem, são atirados para trás. Depois, ao esquecerem o ocorrido, são retirados dali. Claro que tudo isso só é possível graças ao poderoso cosmo do Grande Mestre, que mantém todos esses campos de força ao redor do Santuário.

Desse lugar misterioso sai um arco-íris que as pessoas chamam de “Arco-Íris de Deus”. Desde os tempos mitológicos, ainda que as pessoas sentissem que aquele era um lugar estranho, elas tinham um imagem positiva de lá.

Foi nessa época que um jovem entrou no Santuário, tão facilmente como o vento. Sob o sol brilhante, o vento agita os cabelos desse jovem como se eles tivessem vida própria. Seus olhos não parecem refletir sua idade real. A julgar pela sua roupa, ele não pode ser ninguém mais senão um cavaleiro.

“Meu velho lar, o Santuário… Não mudou nada.”

O jovem observa no centro do Santuário o relógio de fogo, que mostra os 12 templos que devem ser protegidos pelos cavaleiros de ouro. Esses templos estão relacionados às constelações zodiacais.

“O 10º Templo é o de Capricórnio” o jovem se lembra. Ele então vira seu olhar para a Sala do Mestre e a Estátua de Atena. (“Será que Atena já nasceu…?”)

Pensando nesse importante assunto, ele olha para frente, para o local de treino. Foi lá que ele deu o suor e sangue quando ele ainda era um discípulo. Um pouco mais adiante fica a arena (onde Seiya e Cassius lutaram). O jovem caminha para lá. Foi ali que, 2 anos atrás, ele se tornou um cavaleiro, ao derrotar o último adversário. Ele se lembra de tudo perfeitamente.

Esse jovem foi o vencedor. Quando se lembra de como ganhou, fica muito excitado. (Daquela vez tive muita sorte… Mas hoje, eu venceria apenas com minha força). Sua confiança não é injustificada. Nesses dois anos, ele treinou muito nos Montes Pirineus, na Espanha. Ele começou a acreditar em si mesmo.

O jovem inspira profundamente e prende a respiração. Ele se concentra e fecha os olhos. Então, ele solta a respiração. De todo seu corpo emana seu cosmo, que flui rápido com gelo derretendo na água, e cavalos correndo para a ração.

Todo o cosmo sai de uma vez.

Os seus olhos lentamente se abrem. Ele decide que seu alvo seria o topo da montanha atrás da Estátua de Atena. Deve estar a pelo menos 3000 metros de distãncia… Em um instante, ele aponta seu braço direito ao topo da montanha. O poder da rajada corta o ar, criando um som, voando à velocidade da luz. A força não diminui. O golpe finalmente atinge a casa do mestre em Star Hill. É possível ver uma fumaça saindo.

Ao ver isso, o jovem sente um mau estar. De repente, ele sente um poderoso cosmo atrás.

“Hmm… Esse cosmo é de …”

Ele se vira com um sorriso no rosto. É o cavaleiro de Sagitário, Aioros, sorrindo amigavelmente.

– Aioros!

– Shura! Quando você voltou?

O jovem, que se chama Shura, não responde e abraça Aioros. Este o abraça e diz:

– Shura, você elevou seu cosmo, não é mesmo?

– Não se compara ao de Aioros.

– Não, deve estar no mesmo nível do meu.

“Oh, igual ao de Aioros…” Shura sorri.

– O cavaleiro de ouro de Capricórnio, que defende o 10º Templo, finalmente voltou para casa. Parabéns, Shura! – diz Aioros estendendo a mão.

– Obrigado, Aioros! – agradece Shura apertando a mão do amigo com gratidão. Aioros sente que a mão de Shura está diferente. Através de um treinamento duro, sua mão se tornou como aço. “O quê?… Essa mão! Não consigo acreditar que tenha chegado nesse nível… Impressionante, Shura.”

– Aioros? – Shura interrompe o amigo de seus pensamentos.

– Shura, o Templo de Capricórnio está perfeito agora!

– Aioros!

Aioros olha para Shura como se fosse seu próprio irmão e faz um sinal de aprovação.

“Ouvir Aioros dizer isso me deixa muito feliz. Eu sempre o tive como minha meta. Não importa quais foram as dificuldades, eu as superei.”

– Shura, eu agora me esqueci totalmente que você é quatro anos mais novo do que eu. Venha, vamos visitar o Mestre.

Essa noite vamos conversar bastante.

Shura sorri. Agora ele está realmente feliz, pois obteve o reconhecimento de Aioros de Sagitário.

Capítulo 2 – Transformação Anormal

O Mestre do Santuário é o líder de todos os cavaleiros. A cada geração, o Mestre deverá escolher um sucessor entre os 12 cavaleiros de ouro. Um cavaleiro que seja inteligente, benevolente e corajoso. Antes do começo de uma Guerra Sagrada, essa cerimônia é realizada.

As assim chamadas Guerras Sagradas acontecem desde que Poseidon, deus dos Mares e senhor de Atlantis, tentou tomar o controle sobre a Terra, através da “vontade dos deuses”, criando assim as disputas pelo poder.

Quando o mal está sobre a Terra, Atena nasce. Antes da guerra começar, o Mestre ordena a todos os cavaleiros espalhados pelo mundo que retornem ao Santuário.

As Guerras Santas ocorrem a cada 230 ou 250 anos. A última Guerra Sagrada ocorreu há 229 anos atrás. Naquela época, havia 79 cavaleiros para lutar. Foi o número mais alto de cavaleiros a participar de uma guerra, em todos os tempos. Apenas alguns sobreviveram, foi uma guerra terrível.

Um deles foi o mestre de Shiryu, que vive atualmente nos Cinco Picos de Rozan, o cavaleiro Dohko de Libra (chamado de Mestre Ancião). Além dele houve outro sobrevivente, que é o Grande Mestre atual.

– Ah, Shura, você finalmente voltou! – diz o Mestre dando as boas-vindas. Sentado no trono, o velho rosto do Mestre e seu corpo estão ocultos por uma máscara e um manto.

– Saudações – diz Shura se ajoelhando, respeitosamente.

– Hoje a noite, descanse bastante!

– Sim! Obrigado pela preocupação.

– Shura, você deve ter se tornado muito forte – diz Ares, o irmão do Mestre, que está ao lado do trono.

– Ares…

Ares é o ajudante do velho e doente Mestre. Ele ajuda nas tarefas do Mestre. Sendo um cavaleiro de prata, ele não pode se tornar o próximo Grande Mestre, mas tem a confiança de todos os cavaleiros. Ele tem respeito e apoio.

– Agora, o cavaleiro de ouro de Capricórnio está de volta também.

– Ares, amanhã entregue a missão a Shura – diz o Mestre, levantando-se lentamente.

– Sim! Shura, pode se retirar. Descanse um pouco. – diz Ares, seguindo o Mestre.

– Obrigado por se preocupar.

Enquanto Shura está prestes a sair, ele sente um cosmo poderoso e desafiador atrás. Seu corpo fica alerta, sob tensão.

“Hã, que cosmo é esse?”

O Mestre pergunta:

– Saga?

– Ah! – Shura volta o rosto e o vê.

O cavaleiro de ouro de Gêmeos caminha lentamente, com um sorriso frio no rosto.

– Saudações… Saga de Gêmeos vem respeitosamente cumprimentar o Mestre.- Saga cumpre a etiqueta formal.

Shura está pensando. Ele decide determinar se aquele cosmo estranho veio de Saga. Mas ele apenas sente um cosmo benevolente e poderoso, que todos os cavaleiros de ouro deveriam ter. “Estranho… de quem será aquele cosmo?

Talvez um invasor tenha entrado no Santuário…”

– Você é?

– Cavaleiro de ouro Shura de Capricórnio

– Ah…é você.

– Há alguns instantes atrás, eu senti um cosmo poderoso e desafiador… Era você?

– Não… Não era eu… Realmente.

Os dois cavaleiros se encaram um ao outro, olhos nos olhos, criando pequenas faiscas. “O que? nos olhos de Saga há um estranho brilho”. Os dois continuam se encarando.

O Mestre finalmente quebra a tensão.

– Saga, como está a situação de Poseidon?

– Ainda não há muita atividade.

– Saga, vigiar Poseidon é muito importante. Você não deve descuidar. A última Guerra Sagrada foi há 229 anos, o dia em que Atena virá está próximo.

– Sim!

– Saga, esta noite fique no Santuário e descanse.

– Obrigado.

Shura continua observando Saga, que faz o procedimento formal, pensando… “Saga, um homem com o qual se deve tomar cuidado…”

Capítulo 3 – O Assassino

É noite alta no Santuário. O céu está cheio de estrelas reluzentes, brilhantes, belas como anjos. Segurando uma xícara de vidro, que reflete a luz das estrelas, Shura pergunta a Aioros:

– Aioros….Saga, que tipo de homem é ele?

– Saga? Bem, ele é uma pessoa que não fala muito de si mesmo… Ninguém…Talvez nem mesmo o Mestre saiba como ele é realmente. É por isso que é muito difícil descobrir o que ele está pensando. Mas eu vejo, Saga esconde algum tipo de sombra…

– Hmmm….

Na mente de Shura, ele vê os olhos misteriosos de Saga. Ao pensar nisso, novamente, ele volta a sentir aquele cosmo.

– Aioros!

– Hmmm… – Aioros sentira também.

– É isso, Aioros! o cosmo que eu senti é esse!

– Shura, vá! – a face de Aioros mudou, e ele deu um pulo.

– Ah? – Shura não sabia o que estava acontecendo.

Aioros corria o mais rápido que podia.

– Shura, o Mestre está em perigo!

– O quê?!

Aioros corre em direção à Sala do Mestre. “Maldição, ainda não tão rápido quanto Aioros…”. Usando a velocidade sobre-humana dos cavaleiros, ambos passam voando pelas escadas. Sem sequer respirar uma vez, eles chegam ao Salão do Mestre e vêem Ares usando seu corpo como um escudo para proteger o Mestre, levando golpes do inimigo.

Mas Ares é um cavaleiro de prata. Ele não é fraco, mas seu corpo está ferido, enquanto o do inimigo surpreendentemente não tem ferimentos. Poderia ser ele mais poderoso do que um cavaleiro de prata? O invasor usa uma máscara, escondendo sua identidade.

– Ares!

-Ah! Aioros!

Shura grita ao assassino:

– Quem é você? Você, idiota estúpido que ousa vir ao Templo do Mestre e atacá-lo, fale seu nome!

– … – o inimigo não diz uma palavra.

Nesse momento, Ares diz algo:

– Você… Você é…?!

Shura pergunta a Aioros:

– Você já viu essa armadura antes?

– Não, é a primeira vez que eu vejo algo assim.

A armadura do invasor é totalmente diferente da dos cavaleiros de Atena.

“É parecida com escamas de peixes…” Shura pensa.

O inimigo não responde, mas o Mestre fala:

– Essa é uma escama dos Marinas de Poseidon!

– Marina! Escamas? – Shura pela primeira vez ouvira falar nos marinas.

– Essas escamas foram criadas com o legendário oricalco!

– Isso significa, que você foi mandado aqui por Poseidon?!

O inimigo ainda não dá uma resposta à Shura. De repente, ele lança seu punho à velocidade da luz, em direção à Ares.

Mesmo assim, Ares, não se move.

– Ahhh! – Ares segura seu estômago. Ele está prestes a cair. O assassino pula em direção ao Mestre.

– Oh, não! – enquanto Aioros grita, o inimigo já está próximo ao Mestre. Embora o Mestre esteja velho e doente, ele ainda é um cavaleiro de ouro. Ele não perderá facilmente. Ele facilmente evita um ataque.

– Mestre! – Aioros grita enquanto ele e Shura correm e se colocam entre o Mestre e o assassino. Não importa quão confidente esteja o invasor, ele não pode se descuidar enfrentando dois cavaleiros de ouro. Ele dá um salto e cai perto do Mestre.

– Ah, não! – o Mestre percebe que deixa-lo se aproximar foi um erro. Aioros e Shura não podem atacar sem ferir o Mestre. Eles nao conseguem achar uma brecha por onde atacar, mas ainda matém a postura ofensiva.

Eles têm que esperar o inimigo cometer um erro e então atacar. Os dois estão muito nervosos e suando. O assassino tem toda vantagem. Ele está broncando de gato e rato com eles.

Capítulo 4 – Nasce Excalibur

Nesse momento, Shura volta a sentir um cosmo poderoso. O mesmo cosmo que ele sentira ao entardecer na Sala do Mestre.

“Aquele mesmo cosmo!”

Aioros também sentiu.

“Esse! Esse cosmo é?! Será?” , ele se recorda. Ele aponta o dedo para o assassino e diz:

– Se você quiser viver, é melhor que deixe o Mestre!

– Ha ha… – um riso vem por trás da máscara. Aioros expande seu cosmo e de seu dedo ele deixa sair o cosmo em direção ao assassino. Mas este não se assusta e facilmente evita o golpe. Depois disso, ele mira o Mestre com sua mão direita.

– Ah! – Shura não consegue nem respirar. Ares, cambaleando, grita:

– Aioros, agora é com você!

Aioros responde:

– Você viu Saga?

– O quê?! – Em um segundo, a mão que estava erguida contra o Mestre abaixa, e eles vêem o cabelo do assassino tremer.

O Mestre ordena a Shura;

– Shura, lance sua mão cortante!

Em um instante, Shura ergue sua mão como uma espada, mira a mão direita do assassino e lança um raio de luz.

– Ah? – Shura não tem controle total sobre sua mão cortante, ele apenas fez como ordenado. Enquanto o poder fluia, ele deixou ir sua mão cortante. E mesmo assim, o poder foi imenso.

O pulso do assassino foi ferido por Shura.

– Ah!! – Da ferida, pequenas gotas de sangue caíam.

– Ah, o que foi isso!? – Shura vê a ferida do inimigo, e não consegue se impedir de gritar, assustado. Aioros rapidamente lança dois raios de luz que são como flechas no assassino.

O invasor, que havia se descuidado, não pode evitar o ataque. A ombreira direita da escama foi atingida pelo ataque de Aioros. Mesmo assim, ele não consegue destruir a escama feita de oricalco, a ombreira cai no chão.

-Ah! – o assassino não tem tempo de assumir uma postura de ataque quando Shura ataca, e pula. Aioros, enquanto protege o Mestre continua com a luta. O inimigo gira e ataca Shura, mas como está girando perde o equilíbrio e Shura consegue aterrissa facilmente. Ares faz um esforço para se levantar também, os três encarando o assassino.

Aioros está em frente ao Mestre, protegendo-o, enquanto seu cosmo torna-se agitado. O invasor tem que desistir. Ele está enfrentando dois cavaleiros de ouro e um cavaleiro de prata, além de alguém que ja foi um cavaleiro de ouro. Ele não pode lutar contra os quatro, seria estupidez.

O assassino vira-se e salta pela janela. Ao som do vidro quebrando, ele desaparece na escuridão. Shura se prepara para perseguí-lo.

– Shura, esqueça!

– O quê?!

– Está escuro lá fora…Se você for atrás dele, pode ser atacado e não terá como vencer.

– Ares está certo. – Ouvindo as palavras do Mestre, e também vendo os olhos de Aioros, que lhe dizem para obedecer, Shura diz: – Eu entendo. Mas quem era aquele homem?

– Eu suponho que fosse um dos servos de Poseidon, mas… – Aioros põe a mão na cabeça ao dizer isso.

Ares não responde.

– Aioros, Shura, obrigado a ambos – o Mestre faz um gesto com a cabeça, agradecendo.

– Mestre, era nosso dever!

– Sim, era nosso dever!

Capítulo 5 – Incerteza

Saga vem ao Salão do Mestre vestindo algo que não é apropriado para a estação de Agosto na Grécia: roupas de mangas longas. Quando ele entra, tudo havia acabado.

– Saga, agora há pouco, um invasor veio atacar o Mestre!!

– O quê? Um invasor atacando o Mestre? Quem era?

– Era algo parecido com um marina.

– Um marina?

– Saga, vá rápido vigiar Poseidon!

– Sim! – diz Saga, fazendo uma reverência.

Ares está pensando em algo. Ele continua a observar cada movimento de Saga. Então, Saga sente o olhar de Ares, e devolve um olhar rude. Nesse momento, o Mestre anuncia uma questão muito importante. Aioros e os outros ficam em silêncio.

– Muito em breve estaremos presenciando a vinda de Atena.

– Ah! – todos fica muito agitados.

“Atena finalmente virá!” Shura se sente mais agitado do que quando ele ganhou sua armadura de ouro. Nesse momento, Saga exibe um sorriso frio, que não escapa aos olhos de Ares. “Saga…”

O Mestre continua:

– Assim como no passado, quando damos as boas vindas a Atena, é o anúncio de uma nova Guerra Sagrada. Não apenas o deus dos Mares, Poseidon, quer atacar a Terra, mas também Hades, do Submundo, e Éris, deusa da discórdia, que não perdeu as esperanças. Nós devemos nos preparar para as Guerras Sagradas.

Shura se mostra um pouco nervoso. O Mestre continua falando:

– Portanto, Saga, você deve usar toda sua energia para continuar observando as atividades de Poseidon.

– Sim!

– E Aioros, sua responsabilidade é proteger o Santuário.

– Sim!

– Shura, você deve rapidamente treinar cavaleiros de todo o mundo.

– Sim!

– Então, vamos começar!

Os três cosmos estavam queimando.

– Shura, sua mão cortante foi muito poderosa.

– Sim. Nem mesmo eu sei como controlá-la…Foi como se a mão se movesse por vontade própria.

– Isso é algo que não podemos ver, mas foi um presente de Atena.

– Oh, um presente de Atena!

Não apenas Shura, mas Aioros e Saga, e até mesmo Ares estão todos chocados.

– É a espada sagrada batizada pelos deuses, Excalibur.

– Excalibur..?

– Usar a espada sagrada com seus próprios movimentos. Esta é a recompensa por seus treinos duros. Quando Atena chegar, você poderá protegê-la ao seu lado.

– Eu estou muito grato! – Shura olha para sua mão direita e pequenas lágrimas começam a escorrer – Atena…

Apenas olhando para essas lágrimas, nós vemos a prova dessa devoção pela deusa que ainda não foi vista.

– Shura, isso é ótimo! – Aioros parabeniza Shura, apertando sua mão.

– Obrigado, Aioros!

– Shura, parabéns! – Saga bate no ombro de Shura. Os olhos de Ares brilham rapidamente. Nas mangas de Saga, há sangue escorrendo. “Será…Será Saga?”

– Todos estão dispensados.

Aioros faz uma reverência.

– Saga, você poderia vir a meu quarto?

– Ares, o que há?

– Eu quero resolver um assunto com você…

Saga deixa transparecer que não gostou disso, e sai.

Ares está em seu quarto pensando no assassino.

“O Santuário está cercado por alguns poucos níveis de campos de força. Exceto pelos cavaleiros de ouro, nenhum outro cavaleiro pode passar por eles. Se aquele adversário fosse um marina, e passou pelos campos de força… Mas, se fosse um cavaleiro de ouro… E Saga chegou tão tarde. E também, a manga… O sangue pingando, será que eu não vi direito…?
Nesse instante, ouve-se um toque na porta. Saga entra no quarto de Ares. Nos olhos de Saga, brilha uma estranha luz.

Ares não percebe isso, enquanto Saga move-se até sua frente.

“O que é isso?”

Repentinamente, Ares interrompe Saga, segurando sua mão direita. Ele puxa a manga.

– O quê!? O que você está fazendo? – Saga fica bastante assustado. Ares vê no pulso de Saga a ferida deixada pela Excalibur de Shura.

– É… Saga, apenas eu sei sobre isso. Se você tiver algum pensamento mau, eu sugiro que você os esqueça.

– Hmmm…. Ares, se você não fosse tão curioso, teria uma vida mais longa…

– O quê?!

A cor dos olhos de Saga muda para um impiedoso vermelho sangue. Ele parece uma pessoa completamente diferente.

– Não ter pensamentos malignos? Isso é pelo cavaleiro Saga de Gêmeos, que tomará o lugar de Atena e governará o mundo. Eu apenas matei um marina, peguei sua escama…Já chega, essa é a técnica mais poderosa de Saga, Explosão Galáctica!!

Saga lança seu golpe e Ares é morto. Saga vê o corpo de Ares e ri friamente.

– Haha… De agora em diante, eu serei Ares!

Saga veste a máscara de Ares, enquanto pensa:

“O cavaleiro de ouro Saga de Gêmeos foi vigiar as atividades de Poseidon… E em seguida, eu devo esperar pelo momento certo para me livrar do Mestre, e se Atena morrer também, o Sántuário será de Saga, meu! Ha ha ha ha ha!!

Capítulo 5 – A vinda

Um ano depois, no lugar da Estátua de Atena, a deusa veio. Vindo para desejar o bem à deusa, Shura voltou para o Santuário depois de um ano. Depois que o Mestre morreu, sem ter escolhido um sucessor, Ares assumiu seu lugar (na verdade é Saga).

Ares diz calmamente a Shura:

– Aioros planeja matar Atena. Shura, eu quero que você pare.

– O..o quê??! É impossível! Aioros não é esse tipo de pessoa.

– Então o que acontece com Atena não importa?

– Claro que importa. Nós somos os cavaleiros que juramos proteger Atena e livrar a Terra do mal.

– Certo, não pense nisso, Shura!

Shura está em conflito. Ele não pode acreditar que Aioros faria algo tão estúpido.

– O cavaleiro de ouro de Sagitário pode ser substituído. Atena não, Shura!

– Então porque não perguntamos a Aioros?

– Idiota…

– O quê?

– Você lhe perguntaria ‘Você quer matar Atena?’, e você acha que alguém responderia ‘Sim’ ?

– … – o coração de Shura está como um espelho que acaba de ser quebrado pelas palavras de Ares.

Naquela noite, o bebê Atena está dormindo perto da estátua. Uma sombra lentamente se aproxima dela. A jovem Atena não sabe que está em perigo. A sombra está empunhando uma pequena espada e vestindo um manto. Pela pouca luz que há ali, vemos que é Ares (Saga).

Ares vai para perto do cesto, aperta a pequena espada. Atena não desconfia de nada e continua dormindo. Sob a luz, a espada brilha.

– Morra, Atena!

A espada avança em direção a Atena. Quando está prestes a atingi-la, a mão de Ares é parada por alguém.

– Ah! Você, Aioros!

– Ares, alteza, o que está fazendo? Você está acordado?

– Maldição, me solte!

Ares se distancia de Aioros e tenta esfaquear Atena novamente. Mas dessa vez, Aioros pegou Atena em seus braços. O bebê não chora.

– Ares, alteza, esse bebê é a reencarnação de Atena, que Deus concede apenas uma vez a cada dois séculos! Por quê?

– Não interfira, Aioros!

– Por favor, pare!

Aioros dá um soco em Ares. O soco atinge a mão dele, e a espada cai no chão. Assim como a máscara de Ares.

– …Como é possível??!! – Aioros fica chocado ao ver a face de Ares. – Saga, como…?

– Você me viu, Aioros… e aqueles que vêem meu verdadeiro rosto não podem viver. Morra com Atena!

Saga lança sua mão direita. Seu golpe vai em direção a Aioros com a força de um cavaleiro de ouro. Aioros, segurando Atena, mal consegue evitar o golpe. O punho de Saga atinge a parede. Aioros salta pelo buraco formado na parede.

– Venham! Aioros é um traidor!

Aioros corre por sua vida.

Saga mais uma vez finge ser Ares. Ele mobiliza todos os cavaleiros e soldados. Diante deles, Saga conta que Aioros tentou matar Atena e ordena que eles persigam e matem Atena.

Shura, após ouvir isso, acredita em tudo que Ares havia dito como sendo a verdade. Ele rapidamente começa a perseguição. “Aioros, porque você fez isso?”. Shura está atrás de Aioros. Em sua mente, a idéia de Aioros como um irmão rapidamente desaparece.

Aioros está segurando Atena. Ele também está carregando a urna da armadura de Sagitário, fugindo do Santuário.

Aioros pára. Shura aparece em sua frente.

– Aioros, você acha que conseguiu escapar?

– Espere! Shura, me escute!

– Nós chegamos a esse ponto e você quer explicar? Não é você. Eu terei que matá-lo. Usando o presente de Atena, a sagrada Excalibur!!

O jovem que amava Aioros como um irmão não existe mais. Excalibur está cheia de lágrimas de Shura, e o chão fica com algumas fendas…

Memory Story – Shaka

Esta história lateral foi lançada originalmente nas páginas da edição 13 da revista japonesa Weekly Shonen Jump, de Fevereiro de 1987, juntamente com o capítulo 61 do mangá (capítulo em que o Aiolia de Leão reconhece Saori como Atena e vai até o Santuário tirar satisfações do Mestre).
O nome desta história lateral é: Memory Story – Shaka. Ela possui 31 páginas e posteriormente foi lançada, de forma encaixada na história, quando os tankohons foram produzidos. Ela conta a história de quando Ikki, na Ilha da Rainha da Morte, desafiou os Cavaleiros Negros e Jango pela posse da Armadura de Bronze de Fênix. No final da história, surge Shaka, um Cavaleiro de Ouro, que havia ido até a Ilha para exterminar os Cavaleiros Negros. Como Ikki já tinha feito todo o serviço, Shaka resolve então mostra para Ikki que sempre existem Cavaleiros mais fortes do que eles no mundo. Em seguida, o Cavaleiro de Ouro apaga a memória de Ikki, fazendo com que ele só se lembre do encontro deles quando, no futuro, eles se encontrarem. Shaka vai embora e os Cavaleiros Negros se ajoelham perante Ikki, que se torna o mestre deles. Ikki resolve partir para a Guerra Galáctica, para roubar a Armadura de Ouro de Sagitário!
Com relação as diferenças das publicações (Shonen Jump vs Tankohon), curiosamente uma página extra foi publicada nos tankohons e a mesma não é encontrada na Shonen Jump. Alguns diálogos também tiveram uma formatação diferente nos tankohons, mas nada que mude completamente a história em si!
Fonte: CavZodiaco.com.br

 

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